Humanos são animais difíceis de se lidar. Acham que só fazendo carinho irão garantir que em seus colos eu fique, ignoram o meu afeto às cinco da manhã, espirram água para evitarem meu suicídio — quando na verdade eu apenas observo a rua em cima do balaustrado — e se esquecem de deixar uma fresta da cortina aberta para um banho de sol eu tomar. Embora complicados, os humanos são quentinhos; gosto neles roçar meu focinho, fazer minha toalete e meu corpo repousar. Outro dia trouxeram um animal de miado estranho, com um jeito de andar desengonçado; no primeiro dia talvez ele tenha tentado ser simpático, entretanto no segundo já me perseguia como se eu também vivesse de ossos, guias e coleiras e ao terceiro eu já pensava numa das minhas sete vidas desperdiçar, me atirando do badalado balaustrado. Já não sei mais qual é meu maior predador, mas agradeço por terem trocado minha ração: aquela última em forma de peixinhos era ultrajante.
risos
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