29 de junho de 2010

Como uma terça qualquer

"A mi propio entierro fui, sola y llorando" - canta Mercedes
Sosa na música "Como la cigarra". Acho que não é nem uma
música para mim, e sim, um hino. Depois de um dia que pode
ser considerado normal, estou aqui tentando escrever algo.
O tradicional chá de terça saiu hoje, e veio acompanhado
(gratuitaente) de deliciosos biscoitos doces. E claro, a
companhia também estava apropriada pra essa terça-feira
ensolarada e fria de inverno. Me decepcionei por não achar
o livro do meu escritor preferido nas prateleiras da seção
de romances na Bibioteca Pública, e olha, foi difícil pra
mim achá-lo entre tantos nomes consagrados. Só sei que ele
fica perto de Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade e
Clarice Lispector. Voltando à Mercedes Sosa, ouço agora uma
outra música dela, parece tão profunda, mas cantada com uma
simplicidade invejável. E por falar nisso, uma simpática
garota disse que eu sou "bonito", cheguei até sorrir, tímido.
Assim como ontem, o céu está digno de ser admirado. Quando
deito na grama, semi-seca e recém-aparada, fico procurando
um limite pro céu. Concluo que o céu não existe, é tudo um
infinito. Infinito que, de certa forma, me deixa confuso.
Olha, a garota das mexas azuis toma chimarrão. Ainda prefiro
meu café. Ainda prefiro me exilar dentro de uma xícara.

22 de junho de 2010

Loucura


Pra falar a verdade, tudo aquilo é de mentira. Mas convenhamos
que é a mentira mais bem contada que existe. Tão perfeita que
você ri, chora, sorri, ou simplesmente diz: "Perdi meu tempo".
É um grande não-existir existindo, e não há sensação mais
interessante do que esta. Como Caetano cantou: "nem a
loucura do amor, da maconha e do pó, do tabado e do álcool
vale a loucura do ator, quando abre-se em flor sob as luzes
do palco", e como afirmo: é a melhor loucura existente.
Desde o meu primeiro passo naquele palco no dia 15 de
dezembro de 2009, essa misteriosa magia tem tomado
conta de mim. Desde a primeira flor arremeçada, até o
último aplauso, tudo foi e é válido. Daqui 4 horas e meia
vou ser outra pessoa, mas não se preocupe, depois de
1 hora e pouco voltarei a ser o que sempre tenho sido.
Merda.

Bony e Clyde, talvez

É uma questão de preservação do passado derradeiro,
apenas isso. Compreende ? Não disse que seria fácil
tentar esquecer algo digno de não ser esquecido, mas
fazer o que, né. Sorrisos de cereja, refris cítricos,
filmes da Audrey Hepburn, noites mal dormidas,
rosas e um poema. Realmente, nós tentamos,
mas acho que não éramos capazes de dar
reticências pra algo que era visivelmente frágil.
Só nos resta ouvir "te olho, te guardo, te sigo,
te vejo dormir" pra tentar recuperar um pouco
dos tempos de menino, ou quem sabe folhar
a biografia da Brigitte Bardot à procura da tão
fatídica frase "Je t'aime noi non plus". Podíamos
ter sido Bony e Clyde, Serge e Brigitte, Holly e
Fred, Dorothy e o homem de lata, Cecília e
Francisco, mas éramos, nada menos que Pierre
e Sophie. Nossa estória ainda não se findou.

Nota: Se acaso você ler isso, saiba que, como
no cinema, te devo rosas e um poema.

2 de junho de 2010

Quiçá


São 13 horas de um frio dia de junho, estou aqui só pra
perder um pouco de tempo mesmo. Hoje foi um dia sem muitas
novidades, mas eu estava muito pensativo com relação à algumas
coisas. Não, eu não estou triste, só estou pensativo. Compreende ?
É um sentimento de sentar-se no pé de uma escada e ver a banda
passar na sua frente, quase pisando nos seus pés descalços.
É tudo tão estranho, desde o misterioso mendigo que se fitava
num enorme vidro espelhado, até os acordes estridentes do
professor de sotaque baiano. Ou ainda da mulher que
cuidava da filha com tanto amor e entrega até o profundo
sorriso da mulher que é paga pra limpar a sujeira alheia.
Não é fugir, mas é querer se afastar.
É, realmente eu estou precisando de férias.