
31 de dezembro de 2010
2010, as últimas palavras

Cabeça firme e sapatos confortáveis
Pessoa inteligente

Arnaldo Jabor
28 de dezembro de 2010
Eu e ela: só nós e ponto

Para Aranath.
27 de dezembro de 2010
Personalidade do ano, na minha opinião

26 de dezembro de 2010
24 de dezembro de 2010
O mapa astral de Caio Fernando Abreu

“Acredito em Deus e em muitas formas do mistério. Sou astrólogo, embora não profissional, há 20 anos. Tenho uma curiosidade imensa de saber por que estou vivo, o que significa o céu, o que significa morrer. Portanto, é natural que em meu trabalho estejam presentes todas essas ânsias filosóficas exaltadas. Muitas vezes o que torna digna a vida de um homem é o fato de ele olhar para o céu e dizer “Meu Deus, que coisa imensa…” E perguntar: “Por que eu estou aqui” Toda forma de criação artística é uma maneira de procurar essas respostas.”
(Caio Fernando Abreu)
Para entrar no clima de Caio F. escuto Erik Satie, que ele adorava, e observo seu mapa astrológico, feito pelo próprio, em meio a papéis datilografados de uma velha carta. Do mapa deste virginiano, artesão perfeccionista da palavra, que dizia escrever para organizar o inorganizável caos, emerge uma onipresente marca d’água: como os caminhos que faz este elemento, rumo à profundidade, como a emoção indelével que Caio deixa impressa em nós, seus leitores e amigos. Não por acaso suas configurações astrais reiteram o simbolismo aquático, que tem múltiplas conotações ligadas aos estados anímicos e ao mundo dos sentimentos, vividos intensamente na vida e na obra. Caio queria ser um mago, como ele mesmo falou em uma de suas primeiras entrevistas. Queria ser o que foi: mago, xamã, inspirado encantador de serpentes e operador de metamorfoses, sábio transmutador a tanger com seu condão aquele ponto exato em nós, nos despertando e, não raro, nos perturbando, instigando a ir mais fundo, além do ponto.
O interesse pela metafísica, pelo esoterismo, pelas filosofias orientais e pela astrologia integrava sua experiência pessoal e era vivenciado com respeito e reverência. Caio foi um profundo conhecedor da astrologia e astrólogo altamente intuitivo, compartilhando sua visão através de seus textos. Em Caio, literatura e vida não se descolam, andam juntas, caminho que se faz ao caminhar. O escritor utiliza elementos simbólicos, mitológicos e principalmente astrológicos em seu trabalho, ora como simples referência, ora como vetor na construção ficcional, de forma deliberada. O livro "Triângulo das águas" se destaca dos demais por apresentar uma estrutura narrativa norteada por princípios astrológicos. Através do simbolismo dos signos de Água — Câncer, Escorpião, Peixes –, relacionados a cada um dos três contos que constituem a obra, é representado o processo de transformação interior de seus personagens: seres à procura da verdade e de um sentido para suas existências sufocadas pela pressão urbana e pela solidão.
Na mesma carta de 20 junho de 1988, em que me enviou seu mapa, Caio comenta a intenção de escrever outros livros usando os elementos astrológicos: “Ando com uma longa história na cabeça. A se chamar 360 Graus. Queria dividi-la em capítulos, assim: 30 graus (o semi-sextil), 60 graus (o sextil) e assim por diante. É uma história de amor, claro. Na verdade ainda não decidi se será 360 ou 180 graus. Estou naquela fase de anotar e ler coisas, à espera de que a Vida (essa senhora tão temperamental) me dê mais alguns – digamos – subsídios. Tenho para mim que ela é quase, talvez, a “grande obra”. Não sei se é um livro só ou parte de um, como o Triângulo das Águas. Era um projeto antigo meu: três histórias para os signos de Água, três para o Fogo e assim por diante — até completar a mandala dos 12. Quem sabe consigo?” Esse é mais um dos tantos projetos bacanas que ficaram espalhados por anotações em guardanapos, cartas e diários, sem tempo de realizar.
A literatura de Caio — com seu mix bem temperado de amores, sexo, viagens, cidades, drogas, psicanálise, meditação, astrologia, filosofia oriental, candomblé, tarô, cultura pop, poemas, filmes & canções — mostra sua trajetória pessoal na busca de sentido e de revelação e, ao mesmo tempo, propõe ao leitor um convite para embarcar em sua própria jornada de busca de autoconhecimento, de significado da existência, de crescimento e de transcendência. É impossível ler Caio Fernando Abreu e manter aquela “mesma velha idéia formada sobre tudo”.
Por Amanda Costa. Astróloga, autora do livro “Astrologia o Cosmos e Você”, mestranda em literatura brasileira (UFRGS).
O outro lado, pelas lentes de Diane Arbus






Papai Noel, o maior mentiroso que existe

23 de dezembro de 2010
Em 2010, a música que eu mais ouvi
A música nem é desse ano, mas depois que a descobri em meados de setembro, se tornou uma constante execução na minha vida. É a mais ouvida das músicas da banda escocesa Camera Obscura no Last.Fm, e de alguma forma me conquistou, talvez com os arranjos de trompete, talvez com a voz de Tracyanne Campbel, talvez com a letra e o clipe que são o sonho de qualquer casal apaixonado, ou talvez por tudo isso. Apesar de triste, o clipe trás uma idealização tão boa de como seria viver um amor em Paris, com torres que podem expressar todo sentimento de uma cidade, praças e parques que parecem cuidados para recepcionar uma grande festa, igrejas que falam por si próprias, histórias de amor que tem perfume e luz própria. Não posso negar que "French Navy" me remete a outras coisas que não deviam ser lembradas, mas de alguma forma, a música se tornou muito mais forte do que o sentimento que antes ela trazia, provando que existem músicas que são produzidas para terem vida própria, não a que os produtores musicais, artistas ou nós mesmos queremos impor a elas.
Gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro

22 de dezembro de 2010
Il est de rêve, quem sabe

une YSL. Toujours rêve en chantant 'La vie
en rose', sous la Tour Eiffel et adopté peut dire:
'Paris, nous sommes ici.' Et tout cela, la joie,
un baiser sur votre main comme une madamozeile
et un câlin dans la ville parfumée et pleine de
20 de dezembro de 2010
Uma história com dois pontos finais

Os maiores fiascos de 2010, na minha opinião
Será que uma candidata inexperiente e fortemente
fabricada terá fôlego pra dirigir o Brasil ?
O papel de Larissa Maciel em "Passione"
De Maysa à filha de uma verdureira, apaixonada
por um desequilibrado e sogra de Kaike Brito
Vera Fischer: "Não sei escrever pra pobre"
E também, não sabe atuar
Rock Colorido, capa da "Atrevida"
Deus castiga
Silvio Santos no fundo do poço
Depois de rescindir contrato com a Televisa, o
empresário contrata o mesmo autor de "Mutantes"
Roberto Requião se elege senador
Depois de tanto lutar pelo bem-estar dos paranaenses,
o vilão decide ensinar receitas com mamona no Senado
Marina Silva com 20 milhões de votos
Achei pouco
Preconceito contra nordestinos e gays no Twitter
E ainda queremos ser país de primeiro mundo
Tiririca, palhaço e deputado federal
O trabalho é o mesmo, só muda o patrão
(ou no caso, os patrões)
Big Brother Brasil e A Fazenda
Todo ano, o fiasco de sempre
Brasil perde a Copa do Mundo
Ninguém no mundo é pentacampeão
Lula recusa convite da ONU
Diplomacia ao excesso causa perda de dedos
2010 ainda não acabou
O maior fiasco de todos
19 de dezembro de 2010
A melhor atriz em 2010, na minha opinião
A dama suprema da teledramaturgia brasileira

Diálogo circular entre A e B
A: — Mas a gente nunca vai atingir esses cem, nunca, cara.
B: — Ôquei.
A: — "Ôquei" ? E você, o que está fazendo pra atingir os cem por cento ?
B: — Rá. Você não percebeu ? Gente... Ai.
A: — Cara, eu já te disse que quando estiver falando contigo, quero olhos nos olhos.
B: — Mas eu tô te olhando.
A: — Eu não gosto quando você ri do que eu digo. Sinto que você tá se achando um palhaço, eu sei.
B: — E por que acharia ?
A:— Você podia tão bem, estar lá, curtindo sua vida com pessoas muito melhores e mais interessantes que eu.
B:— Eu tô aqui com você, não estou ?
A: — Eu sei, eu te sinto, você é meu.
B: — Eu não sou seu, eu pertenço a mim mesmo. Eu estou com você.
A: — Assim você acaba com a minha metáfora.
B: — Pois é, nem tudo na vida é sonho.
A: — Deixa eu sonhar contigo, cara, deixa.
B: — Quando a gente acordar a gente descobre que esse sonho era ilusão.
A: — Eu sei que sonhar é um verbo ótimo pra conjulgar contigo.
B: — Pega um cigarro pra mim, é o último da noite.
A: — Antes vamos terminar essa conversa.
B: — Tá bom. Diga, diga tudo o que quer dizer.
A: — Mas eu já não te disse ? Eu te amo, e vou lutar cada dia por você. Te juro. Só te peço que me entenda também.
B: — Não me machuca mais, eu já sofri tanto, não sei se aguento mais uma.
A: — Você pode se dizer pertencer a si mesmo, mas meu coração é teu, cara. E saiba que eu te amo.
B: — Também.
18 de dezembro de 2010
O melhor filme de 2010, na minha opinião
Resgatando alguma esperança no cinema brasileiro
Sem dúvidas, o trabalho de Arnaldo Jabor em A Suprema Felicidade merece todos os meus elogios. Apesar da história ser um pouco detalhada demais, as interpretações magníficas de artistas como Marco Nanini e Maria Flor devem ser consideradas. O ambiente carioca, a malícia e a malandragem do berço cultural brasileiro foram mostrados com maestria. Todo o novelo de histórias estrelaçadas na história, parecia dar um ar teledramatúrgico à película que contou com a essência dos varões do teatro brasileiro misturada com a dos novatos. A cena que mais me chamou a atenção foi quando o protagonista (que é neto da minha cantora brasileira favorita, Maysa) chega em uma zona, onde putas de todas as cores, idades, cheiros se ofereciam ao rapaz, que só buscava prazer, prazer e nada mais que isso. A volta de Jabor ao meio cinematográfico trouxe também uma esperança ao cinema nacional, que a cada dia que passa se torna mais comercial e apelativo.

Os meus melhores de 2009
Melhor filme: "Divã"; Melhor clipe: "Habbit heart (Raise it up)" / Florence + the Machine; Música-tema: "Poker Face" / Lady GaGa; Artista do ano: Chico Buarque; Melhor peça: "Liberdade" de Adriana Sottomaior; Revelação: Banda Monaco Beach, Curitiba.
Esse ano, vou colocar mais categorias.
Quando janeiro chegar
Quando janeiro chegar, temos de estar preparados para prováveis decaptações, enforcamentos, genocídios e insônias. Talvez a Imprensa se torne mais tendenciosa, os políticos se virem contra quem os colocou no poder, as novelas apelem mais ao sexo e o prazer para conquistar audiência, os movimentos sociais se tornem mais violentos, os ditadores conquistem o que querem disfarçados de "pai dos pobres", o número de assassinatos aumente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo continue engavetado, os negros continuem a fazer parte das cenas de senzala na novela das seis, o transporte rodoviário aumente, a Coréia do Norte resolva atacar brutalmente, os chineses se tornem a nação mais poderosa do planeta, o Justin Bieber seja comparado a Elvis Presley, apareça outro "fenômeno musical" muito bem fabricado e que conquiste os corações direcionados à mesmice, o Zeca Camargo continue sendo o apresentador do "Fantástico", o Fábio Assunção vire protagonista de uma minissérie sobre o dia-dia de um narcótico, a presidente contrate um tradutor para traduzir o que ela diz, o desejo infeliz de separatismo do Sul seja realizado ou que a gente descubra que tudo isso não passa de um sonho (ou um pesadelo). Quando janeiro chegar, temos de estar preparados. Preparados pra não sermos esmagados por todos os outros meses que seguirão. Quando janeiro chegar, atente, embora pareça paulo-coelhístico demais, tudo pode acontecer, se você deixar.
17 de dezembro de 2010
Tudo o que Cecília queria, mas não queria saber
Ela só precisa ser Cecília de volta, só isso.
Teatro: "Amor e Ponto"
Na última sexta, realizei um dos meus sonhos: assistir uma peça de um dos escritores que mais admiro. Digamos que esse sonho se realizou, e transbordou pelas bordas de tão intenso e verdadeiro. Faltavam olhos para tantas lágrimas. O espetáculo foi dirigido pela diretora Adriana Sottomaior, que soube transformar com maestria contos que eu julgava impossíveis de serem adaptados para uma peça, como "Os sobreviventes" e a "Dama da Noite", em retratos tão próximos do nosso cotidiano, histórias tão Caístas em cenas urbanas tão reais, sempre com o mesmo fim, esse ponto que o amor insiste sempre em dar. "Amor e ponto", pra quem conhece o Caio, pode ser a peça mais dilacerante que existe, mas também, pode ser um recado, embora indireto, de que o amor existe, mesmo mascarado de ódio e fúria, sua existência está aí, e nos acompanha cautelosamente. E o "escritor da paixão", como disse Lygia Fagundes Telles, sempre soube nos alertar dessa existência tão perturbadora de uma forma tão viva e árdua.
16 de dezembro de 2010
Aleatoriedades de uma tarde de quinta
Sem saber o que se quer ao certo, a velha idealização de tudo, as mesmas buscas desnorteadas de sempre, o mesmo sorriso amarelo e o cotidiano "sei lá". A gente sempre aponta o caminho mais difícil, aparentemente o mais bonito e mágico, com flores e tapetes de camurça vermelho nos primeiros metros, mas cheio de espinhos e pedregulhos cortantes depois que largamos nossos sapatos. Deixa ser como será, cantaram os Los Hermanos, e acabamos sempre por dizer amém.
14 de dezembro de 2010
Dias de tudo, dias de nada. Diálogo entre A e C
13 de dezembro de 2010
A noiva
11 de dezembro de 2010
A síncope da mulher de vestido negro
10 de dezembro de 2010
9 de dezembro de 2010
A confissão de uma mulher sentada ao meu lado

8 de dezembro de 2010
Tudo é o olhar

Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais
(Agora, leia de baixo para cima)


