20 de abril de 2012

Frente inverso

A música que menos ouviu daquele álbum intitulava-se “Depressão”. Uma ironia. Quem hoje a vê sorrindo, não tem mais no que acreditar. É capaz de confundir a figura, acreditar que não mais se tortura e que é loucura deixar isso tomar-lhe tempo a pensar. Mas deverá ser ela mesma, afinal, julgará que àquela altura talvez pudesse já ter descoberto como manter controlados os músculos faciais diante da tamanha desordem de seu inside. No entanto, ela paga o amor delicado com moedas roubadas, enfeita as bordas de uma carta com ácidas lágrimas e vive com o tormento de não ter se espetado com os espinhos certos. Enquanto isso disfarça um sorriso aos que não lhe compreendem e aos que zombam dela, somente. Coleciona ponteiros de relógio, pelo menos até que algum seja atilado ao seu tempo desatualizado.

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