6 de abril de 2012

Lábios carmesins

Não era moça de se dar ao desfrute, muito pelo contrário, sabia seduzir com o ímpeto de uma ave e com a inocência de uma donzela quando lançava olhadelas que titubeavam os rapazes que pela janela passavam, recorria ao batom vermelho quando não queria ouvir mais conselhos, escondia-se do mundo como um gatinho assustado e borrifava um pouco mais de perfume pra garantir que notassem por ela. Olhava-se no espelho amiúde, seus lábios contorciam-se como os de Marylin Monroe, em suas orelhas buzinavam mais que o fom-fom do Chacrinha, seu mundo era um moinho e do pó dos seus sonhos mesquinhos ela fazia um deserto, deserto que de tão abrasado, queimava seus pés. Ela compreendia o que era o desejo – embora não soubesse disso. Enquanto suas exigências existenciais fossem mais relevantes que os prazeres amantes, como poderia ela, enfim, definir as palavras dissonantes que falavam-lhe o coração ?

Nenhum comentário:

Postar um comentário