3 de julho de 2012

Vinho e água

Agostina e Escolástica estão sentadas à mesa para almoçar. Como de costume, Agostina toma uma, duas, três taças de vinho tinto antes da refeição, deixando a irmã disparar um olhar de crítica e moralismo, que lhe era devido. Escolástica é adepta de uma vida saudável, embora esqueça disso aos sábados quando, impetuosa, chafurda-se na feijoada cheia de toucinhos. Agostina acostumou-se a servir uma mesa farta para cinco pessoas e sempre gostou de temperos fortes, da riqueza calórica e claro, da obrigatória garrafa de vinho. Quando as duas almoçam juntas, o silêncio inglês somente é quebrado por comentários ácidos feitos de modo imperativo. Agostina sempre pergunta pra onde sal fugiu e Escolástica sempre relembra a irmã de que ela precisa cuidar mais da pele, que retruca: "Vou tomar mais banhos de cal". Desfeita a mesa, é servido o tradicional café; pelo menos nessa hora as duas baixam a guarda, discutem política e reclamam daquele aumento que nunca saiu.

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