No glamour das noites de gala, seu sorriso resgatava o brilho pueril de quando, despreocupada, se enfeitava com a maquiagem da mãe. O vermelho a destacava; assim como as fofocas das inimigas, os comentários dos leigos machistas, a coluna social do Bessa e as marcações repetitivas no Facebook. Impávida e colossal, desfilava com suas inseparáveis amigas enquanto os flashes das câmeras confundiam-se com a iluminação estroboscópica do Castelo do Batel. Com as costas retas, o corpo de lado, a barriga chupada e as mãos na cintura, um espontâneo sorriso invadia seu rosto acafelado de Mary Kay. Depois de observar o retrato ordenou que o fotógrafo tirasse mais um, quem sabe outros três e como se supunha, seu desejo era ordem. Ordenar não só era seu nicho ecológico, seu papel social, seu passatempo preferido como também era uma prática que lhe dava ares de sinhazinha, a mais ardilosa das filhas do coronel. O que dispunha em beleza, desprovia em singeleza; ao contrário de quando brincava com bonecas, as suas melhores amigas, sinceramente feitas de plástico.
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