A menina sardenta, desleixada e masculina, a provinciana à mais nova baronesa da capital de Guanabara. Quando caminha pelas alamedas, nota-se seu passo descompensado, o equilíbrio incerto de ariana roxa, uma cicatriz charmosa na perna esquerda, os olhos de sono ou ressaca e a insensatez em ser tão doce e amarga na medida errada e certa. Em seus lábios resta a saudade dos lábios que ainda não beijou. Nas suas orelhas, brincos modernos. Em sua companhia, sobra-me inspiração. Desvendar dia após dia os dias que com ela não se viveu é constatar que poderiam ser mais belos os dias dela se estes fossem meus. A menina fiteira, com ascendente em capricórnio e o ativismo feminista, a mais cobiçada do interior à uma resistente nostalgia.
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3 de maio de 2012
14 de abril de 2011
Veio do norte, foi pra longe
Aquele teu olhar de ontem me cativou de alguma forma, chegou até a devolver (discretamente) o sentimento que havíamos construído antes de tudo desabar. Talvez hoje você se diga independente moderna resolvida autosuficiente feminina, mas sei bem do teu coração... aquela coisa mole e mal usada, mas tão doce. Fiquei um bom tempo pensando num provável e disperdiçado abraço que eu poderia ter te dado, também pensava na gente, no dia que você chegou aqui e no dia que você se foi. Nos destroços, vasculho cada centímetro atrás de algo que me lembre você ou simplesmente sento ao pé da escada e demonstrando uma modesta fé, penso: "Volta logo".
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Willian Aust
1 de abril de 2011
Regressar, não retroceder
Uma hora você se encontra consigo mesma, pergunta que horas são e qual a próxima condução pra tal lugar. Sem querer, a gente se esbarra com olhares multifacetados, mas com os corações rasgados. Talvez seus poros ainda estejam no mesmo rosto que eu tanto me fazia rir, talvez seus dedos estranhos continuem na mesma mão que tanto me segurou, ou ainda lá esteja aquele olhar observador, curioso, que mesmo com outro olhar, não deixa de ser só seu, esse seu todo meu. Uma hora retornará pro lugar de onde tudo começou, mas dessa vez com uma mochila mais leve e um penteado mais moderno.
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Willian Aust
17 de março de 2011
Medição de abismos involuntários
Sem querer a gente se perde, e só se acha quando já está tudo perdido. Podemos desviar de tudo, mas certos espinhos devem existir pra não nos ludibriarmos com caminhos, aparentemente, perfeitos. Na hora agá, tudo que temos nas mãos são cigarros e leves tremedeiras. Mas se soubermos olhar nosso "lá dentro", veremos que as coisas podem ser eternas, se assim quisermos que elas sejam. Uma pedra jogada pode abrir crateras irreversíveis, buracos enormes, abismos sem fim. A mão que penteia os cabelos pode também ser aquela que aponta, acusa, destrói, devasta. O coração que acolhe pode ser uma boa moradia, ou as ruínas do que tijolos de palavras destruíram. A gente só sente o vazio, quando estancam nossa verdade. Que perdure o essencial, que os espinhos sejam pedagógicos e que os abismos sejam que nem pequenos buracos de uma rodovia federal: existem, mas todos fingem que não.
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Willian Aust
28 de fevereiro de 2011
Você, aqui
Ela está ali. Seu corpo se estende por toda minha cama (de solteiro). Não, não ache que ali está o amor da minha vida, longe disso. Só está aqui de passagem, trouxe algumas roupas num baú espanhol com rodinhas, algumas olheiras de ansiedade e uma mochila cheia de sonhos. Pobre menina, o que deve estar sonhando ? Será que eu participo de um de seus sonhos, será que ela confunde a realidade com seu imaginário particular, será que ela está, realmente, sonhando, será ? Enquanto teus olhos fecham, tua respiração se torna menos asfixiante, seu sorriso bonito se finda para abrigar lábios que já dizem “Não perturbe!”. Continuo minha tentativa de te entender: seus medos, seus anseios, seus segredos, seus mistérios, sua loucura, seu silêncio. Talvez eu nunca te entenda, e prefiro que fique por isso mesmo. Tem horas que entender é a pior lição de casa. Aguçadas as bochechas, me diz “És meu fag hag”, me dá um abraço forte e me beija na nuca, sem culpa. Depois te compro uma rosa e faço outro poema, sabe por que ?Porque você está aqui.
Por
Willian Aust
28 de dezembro de 2010
Eu e ela: só nós e ponto

Os mesmos sonhos podem ter a mesma realidade ? Sei não. Será que a gente tá preparado pra tudo isso ? Acho que sim. Ainda me lembro das suas bochechas salientadas enquanto seus dentes amarelados se encarregavam de sorrir pra mim, nunca vou me esquecer. Parecia o fim do mundo, aquele cachorro quente com ares de desfecho infeliz de dramalhão mexicano nem imaginava ser mais uma das reticências da nossa história, meu bem. Nós temos sonhos grandes, às vezes maiores que nós mesmos, mas somos tão pequenos, tão ingênuos, tão infelizes, tão telepáticos e completos de nós mesmos que dava pra escrever um filme. Eu já te contei que você é uma das mulheres da minha vida ? Se não, saiba desde já. Acho que nunca precisamos de aliança, registro no cartório, divisão de bens e todas essas burocracias-sociais-culturais-modernas pra provar que nosso amor não é desses de novela das nove, de fotonovela ou de vitrine. Relutamos pra saber se somos anjos um do outro, eu digo que sim, só que as asas são dispensáveis e os rostinhos angelicais ficaram pra decorar alguma igreja do Vaticano. Dispostos a sonhar, sonhar o mesmo sonho, tornar esse sonho em realidade (ou vice-versa), a gente vai. Não duvide. Só quero te dizer uma coisinha: amores como o nosso são escritos pela mesma Mão, amores como os nosso dispensam finais, pois eles são eternos.
Para Aranath.
Para Aranath.
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Willian Aust
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