28 de fevereiro de 2011

Você, aqui

Ela está ali. Seu corpo se estende por toda minha cama (de solteiro). Não, não ache que ali está o amor da minha vida, longe disso. Só está aqui de passagem, trouxe algumas roupas num baú espanhol com rodinhas, algumas olheiras de ansiedade e uma mochila cheia de sonhos. Pobre menina, o que deve estar sonhando ? Será que eu participo de um de seus sonhos, será que ela confunde a realidade com seu imaginário particular, será que ela está, realmente, sonhando, será ? Enquanto teus olhos fecham, tua respiração se torna menos asfixiante, seu sorriso bonito se finda para abrigar lábios que já dizem “Não perturbe!”. Continuo minha tentativa de te entender: seus medos, seus anseios, seus segredos, seus mistérios, sua loucura, seu silêncio. Talvez eu nunca te entenda, e prefiro que fique por isso mesmo. Tem horas que entender é a pior lição de casa. Aguçadas as bochechas, me diz “És meu fag hag”, me dá um abraço forte e me beija na nuca, sem culpa. Depois te compro uma rosa e faço outro poema, sabe por que ?
Porque você está aqui.

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