E a noite sangrava em seu complexo de hora maldita. Sob o brilho de pálidas estrelas (nenhuma cadente e inferiores às capciosas do carnaval passado, na areia da praia), a única opção era admirar a iluminação pública. Esquentado o leite quente com uma colher de açúcar, suas mãos dispensavam luvas se abrasando na quentura da caneca; relembrou do dia chuvoso, de que não trocara as meias, das quais palavras deveria procurar significado... do guarda-chuva na biblioteca. Era sempre assim, de esquecer guarda-chuva e a cabeça, sobretudo o guarda-chuva. Mas tudo bem, no dia seguinte seria sexta-feira e o segundo dia útil do mês: data estratégica para a aquisição de alguns vinténs daqueles que vos querem bem. A noite se abraçava em neblina, desperdiçando mais uma oportunidade de ser bendita.
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1 de junho de 2012
31 de dezembro de 2010
Pessoa inteligente

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com um idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 réis e outra menor, de 2.000 réis. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. "Eu sei" - respondeu o tolo assim: "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda.
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa. A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é. A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história? A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda. Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos. O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota, diante de um idiota que banca o inteligente.
Arnaldo Jabor
Por
Willian Aust
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