A música que menos ouviu daquele álbum intitulava-se “Depressão”. Uma ironia. Quem hoje a vê sorrindo, não tem mais no que acreditar. É capaz de confundir a figura, acreditar que não mais se tortura e que é loucura deixar isso tomar-lhe tempo a pensar. Mas deverá ser ela mesma, afinal, julgará que àquela altura talvez pudesse já ter descoberto como manter controlados os músculos faciais diante da tamanha desordem de seu inside. No entanto, ela paga o amor delicado com moedas roubadas, enfeita as bordas de uma carta com ácidas lágrimas e vive com o tormento de não ter se espetado com os espinhos certos. Enquanto isso disfarça um sorriso aos que não lhe compreendem e aos que zombam dela, somente. Coleciona ponteiros de relógio, pelo menos até que algum seja atilado ao seu tempo desatualizado.
20 de abril de 2012
6 de abril de 2012
Lábios carmesins
Não era moça de se dar ao desfrute, muito pelo contrário, sabia seduzir com o ímpeto de uma ave e com a inocência de uma donzela quando lançava olhadelas que titubeavam os rapazes que pela janela passavam, recorria ao batom vermelho quando não queria ouvir mais conselhos, escondia-se do mundo como um gatinho assustado e borrifava um pouco mais de perfume pra garantir que notassem por ela. Olhava-se no espelho amiúde, seus lábios contorciam-se como os de Marylin Monroe, em suas orelhas buzinavam mais que o fom-fom do Chacrinha, seu mundo era um moinho e do pó dos seus sonhos mesquinhos ela fazia um deserto, deserto que de tão abrasado, queimava seus pés. Ela compreendia o que era o desejo – embora não soubesse disso. Enquanto suas exigências existenciais fossem mais relevantes que os prazeres amantes, como poderia ela, enfim, definir as palavras dissonantes que falavam-lhe o coração ?
Por
Willian Aust
Cativeiro
Enquanto habitar na insegurança
Mais distante vais ficar da razão
Pedante será a dura lembrança
Ao dizer que é perpétua tua prisão
Vede os burburinhos que latejam
Os suplícios que ocasionam teu penar
Profanos adjetivos aproveitam o ensejo
Pr'aqueles distintos desejos poder chafurdar
No entanto, restam os encantos
Os olhos coloridos, a alma do olhar
Vais procurar por todos os cantos
O que no âmago evidente está
Por
Willian Aust
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