11 de setembro de 2010

A Loja de Sonhos

Havia uma loja de sonhos, todos os sonhos que podiam ser
sonhados estavam lá, esperando para serem adquiridos. Foi
nessa loja que o Tempo decidiu adquirir dois sonhos e torná-
los um só. Sabiam que estavam perdidos no mesmo sonho,
era tão improvável encontrarem as mesmas respostas.
Ou não. O Tempo sabia que só ele poderia fornecer tudo o
que lhes cabiam na hora certa, por mais que ela fosse um
enigma, um mistério, uma inexistência. Trocavam suspiros e
gemidos. Chegaram a visitar todo o mundo, desde a China
até as Arábias, dançando tango na Argentina ou perdendo-se
nas sarjetas sujas de Londres, uma visita à Nova Iorque pra
sonharem um pouco com a cidade mágica, ainda se aqueciam
com suas mãos entrelaçadas nos extremos pólos. Deitados
no quarto verde, sob o colchão sem lençol, perdidos de si
mesmos, achados no coração do outro. O Tempo sabia que
todas as coisas o tinham, mas algumas delas não tinham
paciência ou vontade de esperar sua intervenção. Queriam
se refugiar nas mãos que acariciavam e alongavam o árduo
desejo de poder dizer "Estou aqui". O Tempo acreditou que
fez uma boa compra. A Loja dos Sonhos não aceita devoluções.

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