
"Marnie" (Hitchcock) / 1964
De tão pequena, tornou-se grande, imensa. De baixo, já não se
via o seu rosto, do alto, já não se via os seus pés. Havia algo
perdido em seu olhar, talvez buscasse nos pequenos vazios,
entretenimento para o grande vazio que era. Mas eis que um
dia, ela surgiu. Sem a pretensão de surgir, ou de parecer a
luz do fim do grande e interminável túnel, simplesmente surgiu.
Como pássaro que pousa sobre a bica d'água, assim, como se
fosse algo natural; mas foi diferente. Era como se a bica tivesse
pousado sobre o pássaro, libertando-o das suas gaiolas internas.
E assim por diante, veio algo que fora denominado "amor".
Como dois pássaros livres que contemplavam a paisagem num
voo distraído, daquele jeitinho juntinho, dois em um, um em dois.
O amor, querendo sem querer, os aprisionou na mesma gaiola.
Eles, loucos, se debatiam por entre os limites de ferro, mas
ainda que estivessem fadigados das tentativas de fuga, o
mesmo poleiro ainda estava lá, intacto, aguardando para o
repouso dos pássaros feridos de tanto fugirem do seu amor.
Mas ela não era um pássaro; podiam até compará-la com uma
dessas vezes que todo mundo compara, mas depois de encontrar
o seu poleiro, ela tinha se tornado uma pessoa de verdade.
Ainda muitas gaiolas internas precisavam ser desativadas dentro
de si, mas tudo tinha seu tempo. Quem esperou tanto pra achar seu
poleiro, podia muito bem esperar um pouco pra construir seu ninho.
via o seu rosto, do alto, já não se via os seus pés. Havia algo
perdido em seu olhar, talvez buscasse nos pequenos vazios,
entretenimento para o grande vazio que era. Mas eis que um
dia, ela surgiu. Sem a pretensão de surgir, ou de parecer a
luz do fim do grande e interminável túnel, simplesmente surgiu.
Como pássaro que pousa sobre a bica d'água, assim, como se
fosse algo natural; mas foi diferente. Era como se a bica tivesse
pousado sobre o pássaro, libertando-o das suas gaiolas internas.
E assim por diante, veio algo que fora denominado "amor".
Como dois pássaros livres que contemplavam a paisagem num
voo distraído, daquele jeitinho juntinho, dois em um, um em dois.
O amor, querendo sem querer, os aprisionou na mesma gaiola.
Eles, loucos, se debatiam por entre os limites de ferro, mas
ainda que estivessem fadigados das tentativas de fuga, o
mesmo poleiro ainda estava lá, intacto, aguardando para o
repouso dos pássaros feridos de tanto fugirem do seu amor.
Mas ela não era um pássaro; podiam até compará-la com uma
dessas vezes que todo mundo compara, mas depois de encontrar
o seu poleiro, ela tinha se tornado uma pessoa de verdade.
Ainda muitas gaiolas internas precisavam ser desativadas dentro
de si, mas tudo tinha seu tempo. Quem esperou tanto pra achar seu
poleiro, podia muito bem esperar um pouco pra construir seu ninho.
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