Senhor D. gostou de sua nova casa, sobretudo da varanda. Esticado na rede, sentiu-se legitimamente paranaense tendo no quintal uma araucária imponente. Seus dedos palmilhavam texturas novas, seus olhos vislumbravam o vermelho das cadeiras e de todos os objetos em madeira e até sentiu-se íntimo dos pássaros que folgavam nos fios do poste e nos galhos corpulentos do pinheiro. Em cima da cabeceira, colados quatro cartazes de filmes, estava decretado: ali repousava Senhor D., outras provas disso eram a escova de dentes sobre a pia do banheiro, a cópia genérica de Roy Lichtenstein na sala de jantar, o banner do Senhor dos Anéis na parede da sala e a noiva do Kill Bill, em papelão, atrás do abajur estilo iluminação pública. Seus olhos se debruçavam copiosamente sobre os novos dias, com o sol adentrando pela janela e secando as roupas no varal.
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