27 de agosto de 2012

Sonhos vencidos

Seus olhos pairavam na manhã de inverno perdidos e famintos. Encostado na porta de aço de uma loja de tecidos de um chinês, espreguiçou-se e com dores no corpo, pôs-se de pé, antes que nele jogassem água, expulsando-o dali. Caminhando pelas ruas recém-acordadas, o cheiro do pão fresco e do café forte invadiram suas narinas fazendo-o imaginar uma mesa farta com opções de geleia e suco, torradas, pães de forma, de leite ou francês, café com leite, cappuccino ou preto, mais algumas pessoas sentadas nas cadeiras, comendo ou falando de boca cheia. No entanto, foi interrompido por um senhor rechonchudo — que abocanhava vorazmente uma coxinha tão farta quanto sua massa corpórea, cujo catupiry ladeava a borda dos lábios — que preferiu atravessar a rua a ter que cruzar com ele que somente no passado pensava. Então deu de ombros e apressou o passo, não que tivesse pressa pra alguma coisa, afinal, não tinha muito o que se esperar; mas ainda tinha sonhos, mais vistosos e apetitosos que os da vitrine refrigerada na padaria do português. 

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