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19 de dezembro de 2010

A melhor atriz em 2010, na minha opinião

Fernanda Montenegro
A dama suprema da teledramaturgia brasileira
Modéstia a parte, Arlette Pinheiro Esteves Torres, ou melhor, Fernanda Montenegro, merece todos os pódios quando o assunto é interpretação, seja no cinema ou na televisão. E dessa vez, ela surpreendeu (mais uma vez) ao participar de todos os capítulos de uma telenovela, sem ter uma falsa morte para sua personagem aparecer, impávida, no final. Mesmo aos 80 anos, ela nos dá lição de profissionalismo e claro, de como suas personagens podem criar vida sem precisar de apelações ou vícios. Há uma diferença considerável entre seus papéis no cinema e na tevê. Nota-se que nas telonas ela vive mulheres mais "humanas", com problemas como outra qualquer, mas quando é convidada para atuar numa novela ela nunca deixa de ser aquela viúva rica, cheia de pedrarias e roupas feitas sob medida. Mesmo com esses detalhes, Fernanda, consegue nos conquistar a cada cena, e nos dá prazer em tê-la todos os dias, na nossa frente.

18 de dezembro de 2010

Os meus melhores de 2009

No ínicio desse ano, resolvi listar os melhores do ano anterior. Agora, nesses últimos suspiros de 2010, irei colocar os meus melhores em determinadas categorias desse ano. Com isso, pretendo ver o quanto minha opinião muda, sim, porque eu e você fazemos parte de uma geração em constante evolução, tanto social, quanto cultural ou intelectual. Abaixo, os meus melhores de 2009.

Melhor filme: "Divã"; Melhor clipe: "Habbit heart (Raise it up)" / Florence + the Machine; Música-tema: "Poker Face" / Lady GaGa; Artista do ano: Chico Buarque; Melhor peça: "Liberdade" de Adriana Sottomaior; Revelação: Banda Monaco Beach, Curitiba.

Esse ano, vou colocar mais categorias.

17 de dezembro de 2010

Teatro: "Amor e Ponto"

Na última sexta, realizei um dos meus sonhos: assistir uma peça de um dos escritores que mais admiro. Digamos que esse sonho se realizou, e transbordou pelas bordas de tão intenso e verdadeiro. Faltavam olhos para tantas lágrimas. O espetáculo foi dirigido pela diretora Adriana Sottomaior, que soube transformar com maestria contos que eu julgava impossíveis de serem adaptados para uma peça, como "Os sobreviventes" e a "Dama da Noite", em retratos tão próximos do nosso cotidiano, histórias tão Caístas em cenas urbanas tão reais, sempre com o mesmo fim, esse ponto que o amor insiste sempre em dar. "Amor e ponto", pra quem conhece o Caio, pode ser a peça mais dilacerante que existe, mas também, pode ser um recado, embora indireto, de que o amor existe, mesmo mascarado de ódio e fúria, sua existência está aí, e nos acompanha cautelosamente. E o "escritor da paixão", como disse Lygia Fagundes Telles, sempre soube nos alertar dessa existência tão perturbadora de uma forma tão viva e árdua.

4 de novembro de 2010

Teatro: "O Despertar da Primavera"

Baseado na polêmica peça alemã de Frank Wedekind (a qual foi
censurada por anos), "O despertar da Primavera" ("Spring Awakening")
trata sobre como os adolescentes se comportavam com suas confusões e
conflitos nas amizades,
dúvidas sobre o mundo adulto e mistérios em pleno
despertar sexual e descobrimento do seu corpo numa época em que o tabu
era mais forte do que tudo. Conheça Melchior, um brilhante jovem estudante
e seu amigo Moritz que lhe ensina sobre the bitch of living e também,
claro, sobre esse mundo misterioso no qual Melchior descobrirá depois com
Wendla, uma linda jovem que está no desflorar para a transição de menina
para mulher. Hanshen e Ernest com suas descobertas sexuais em comum,
Martha e Thea, junto com Wendla, buscam respostas para tudo e pra nada.

"O Despertar da Primavera"
Direção de Jader Alves
Estreia - sábado (06) às 21h.
Domingo (07) - 21h.
no Teatro Lala Schneider.

5 de julho de 2010

Teatro: "Roque Santeiro"


Atores da peça Roque Santeiro do Teatro Lala Schneider.

Não existe sensação mais gostosa do que de um dever cumprido.
A peça Roque Santeiro, esteve 6 vezes sob as luzes do palco,
e trouxe humor e uma crítica social sobre a cultuação de heróis
falsos e do poder latifundiário que domina, infelizmente, grande
parte do país. Foram 14 atores interpretando os personagens da
obra-prima de Dias Gomes. A famosa Viúva Porcina, "aquela que
foi sem nunca ter sido", vendedores de cordel delicados, prostitutas
sonhadoras, "arretadas" e manda-chuvas, pecuaristas interesseiros e
de risada estranha, padres não-pedófilos, beatas com ares de trama
mexicana, políticos mal casados, generais cariocais de sotaque sulista
e gulosas empresárias. E assim, com muita entrega, foram feitas as
apresentações desse belo espetáculo do diretor Rogério Bozza. Como
diria Chico Malta: "Tôu certo ou tôu errado?".

22 de junho de 2010

Loucura


Pra falar a verdade, tudo aquilo é de mentira. Mas convenhamos
que é a mentira mais bem contada que existe. Tão perfeita que
você ri, chora, sorri, ou simplesmente diz: "Perdi meu tempo".
É um grande não-existir existindo, e não há sensação mais
interessante do que esta. Como Caetano cantou: "nem a
loucura do amor, da maconha e do pó, do tabado e do álcool
vale a loucura do ator, quando abre-se em flor sob as luzes
do palco", e como afirmo: é a melhor loucura existente.
Desde o meu primeiro passo naquele palco no dia 15 de
dezembro de 2009, essa misteriosa magia tem tomado
conta de mim. Desde a primeira flor arremeçada, até o
último aplauso, tudo foi e é válido. Daqui 4 horas e meia
vou ser outra pessoa, mas não se preocupe, depois de
1 hora e pouco voltarei a ser o que sempre tenho sido.
Merda.