9 de agosto de 2011

Cóleras de agosto

Diva das oito, ferro e flor, cortina rasgada, marmita guardada, o velho sonho do sinhô. Tardes frias, vinheta da MTV, ele deitado, traz semblante marcado, chá de morango, um amor, eu já sei. Cantoras suecas, pêssego em calda, cobertor de pelúcia vermelho, yo la tengo, sorvete de blueberry, garrafa vazia, um vazio, simulacro. Regalo, porta-retrato, notas fiscais no alfinete, quadro de isopor, folha-símbolo do Canadá achada no Passeio Público, uma lista de filmes pra assistir, Blade Runner pra começar. Ciganinha Gioconda, aquela moça que o nome não podia me dizer, até mesmo aquela que agiu de má fé, todos os outros que nos olhos disseram, a dor é passageira, passageira que pede carona a cada esquina. Cinema mudo, ameaças fadistas, correligionários de seitas pagãs, doces leve três pague um do japonês, limonada sem açúcar, a fé que move a Arábia Saudita. Revolução renascentista, Aristóteles falando, deixe que se sente Platão, derrubem o grande Rei, um amor platônico vou te contar, Penélope ainda por Ulisses espera, deixa-se dominar a cada noite pela sua cólera, hoje sua casa é museu, virgens loucas, banqueiros suicidas, príncipes-sapo, sempre quando nela chegar não se esqueça de chorar.

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