
E era todo aquele mundo o que ele tinha. Cheio de festas jovens intituladas de maiores espetáculos do fiasco da geração arroba, de espelhos mais fáceis de se adquirir que sorrisos, de silêncio menos desejável que o suicídio, de meios mais surpreendentes que o fim. Enquanto isso garotas suecas, de vestidos vintage, maquiagem leve, violão no braço e um poema na mão cantam em louvor dos anjos que protegem os bosques nas tardes de sábado. Embriagado de sonhos e desejos, resolveu que não era hora de parar, os caminhos estavam, de fato, abertos. E isso não parecia o isso pouco que isso deveria representar. Na mesma hora, crianças chinesas estão tendo aulas práticas e teóricas de como revolucionar o mundo. Parecia que o mundo obedecia ao contrário dos seus movimentos, era uma gangorra sem ganchos, disputa acirrada onde a perdedora já era a ilusão de ganhar. Eram canais e canais de tevê a cabo e uma preguiça enorme de soletrar a palavra viver. Mas tinha o amor, ainda não era polido, mas carregava altíssima pureza em sua matéria-prima. No exato momento, pensou que viver era mais rentável que sonhar. Os sonhos, apesar de bons e necessários, não precisam virar o feitiço que nos arremessa ao abismo que nós mesmos cavamos, o que até até aquela altura do campeonato era tido como "de praxe". Tal mundo parecia ter resolvido ficar na caverna mesmo e trancafiar todas as suas saídas às sete chaves, mas ainda havia alguns sonhos anjos da guarda, que guiavam o caminho e deixavam-no um pouco mais iluminado.
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