4 de agosto de 2011

Fios da meada

Carregava nos olhos o que nas mãos não conseguia esconder, estava frio e as noites pareciam mais longas, menos imortais. Ele não tinha muito pra oferecer, talvez umas histórias mal vividas com um desconhecido em comum. Ela também não tinha muita coisa, só um apreciável gosto musical e um par de mãos quentinhas. Era novembro, os anos ainda eram dois mil e pouca coisa, na lista de chamada não estava marcada a presença de ambos, o colégio era grande, católico, elitista, prepotente. No canto do Anfiteatro, os dois penetravam o primeiro fio naquela agulha de duas pontas: seria uma história tecida em fio barroco sortido de brocais variados. Talvez pela falta de dedais, a história tenha perdido um pouco de sua perfeição estimada, mas de longe ainda podia-se ouvir sua velha canção de adoração. Um dia chegaram as máquinas, as facilidades e o fim. Tudo que era bordado virou artesanato, coisa bonita, sensação do ano retrasado. E resta no peito, guardado, nosso amor remendado.

Um comentário: