12 de fevereiro de 2012

Dos amores, o mais insano

Já não sabia o que sentia, se sentia ou se tinha permissão para sentir. Enquanto jurava, desconjurava seus recatos e no porta-retratos, com rubor nas bochechas, seu rosto ainda insistia em sorrir. Por ser o personagem o mesmo, era previsível que tudo acabaria a esmo. Daria golpes truculentos no espelho, usando seus poderes de destruição em massa contra um próprio fio de cabelo. O personagem, o velho amor, cheio de remendos e recalques, ainda insistia em prosseguir com dor, acreditando que em seu teor existia redenção para a obsessão que era seu maior desastre. Já não era do seu feitio enfeitiçar, poderia oferecer cordiais suspiros e um buquê de rosas, só lhe restava um dia o desapego, no descaminho que recusou a aprender trilhar. Mesmo repercutindo o fato de não dar em nada, sabendo que sobraria pra quem estivesse oferecendo um ombro de mão beijada, a história ainda perdurava como um conto heroico inspirado em tramas mexicanas. Felicidade, contudo, necessita de sanidade. Um amor insano é passaporte garantido para mais um engano, disso já se sabia, embora parecesse desnecessário alertar mais.

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