15 de março de 2012

Ano dos dragões

Depois das insanidades do carnaval, Cecília precisava de um pouco mais de folia pra camuflar seu samba-canção desafinado. Como era do seu feitio, tornou a ajustar suas relações bilaterais com as lacunas de sua psique, resgatou antigos costumes como abraçar seu velho amigo Ludovico e, como se não bastasse, resolveu virar consumista. Agora além de desafiar as leis da física quântica, ela também desafiava o limite do cartão de crédito e das suas taras de garota inserida. Quem sabe assim ela pudesse se refugiar em páginas novas, bem longe das histórias mofadas que estava acostumada, cujos finais infelizes eram sempre felizes. Enquanto folhas novas chegavam prensadas, folhas velhas iam se desquitando das suas bainhas e deixando empregadas estupefatas de tanto varrer a calçada. O tempo lá fora parecia feio. Acostumada com tempestades e em esquecer a capa de chuva, ela resolveu dançar sob as poças d’água da avenida. Encheu os pulmões e quando gritou, tossiu. 

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