— É uma história chata, isso nota-se pela minha não-cara de contador de histórias. Começo falando do seu nome: Ingrid. Ela surgiu como filme indiano, assim: do nada. Quando me deparei, já estava tomado por aqueles dedos finos, esmaltados num tom de bordô, um sorriso escupido, um olhar venenoso. Ela me fazia acreditar nas possibilidades, e me ajudava a queimar tudo que fosse impossível. Um dia, Ingrid resolver sumir do mapa. Saiu sem deixar carta, algum endereço, o dinheiro da água e ela nem tinha tomado café. Uma hora a gente se encontra por aí, como dois perdidos na mesma sarjeta.
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