10 de março de 2011

Pensamentos de Carnaval

Já tive dias difíceis, mas esses torturantes são novidade. A morte da minha vó influenciou muito, afinal, uma vó é uma segunda mãe e quando seu convívio com ela é intenso, as dores do desprendimento são mais latejantes. Parece que saquearam minha vontade de pular esse carnaval. Um palhaço triste, uma fera selvagem com as pernas quebradas. O caminho tem sido generoso, os espinhos já são menos pontudos, as ruas já estão pavimentadas e voltemeia, vejo algum conhecido. Senhor que me apresentastes a porta da solidão, favor me mostrar a porta de saída, não quero usar a de emergência. Apesar da evidente insatisfação, o que é essencial, não muda, não muta, não multa. Depois de tantas barragens explodidas, qualquer impacto é uma leve tremedeira sem maiores danos. Não é força, não é altivez, intelectualismo, cultura, religião, drogas modernas que vão nos salvar. Até porque ninguém se salva.

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