15 de março de 2011

São as águas de março

Olhavam-se sempre, sempre com um sorriso de lado, um sorriso centrado ou um sem-sorriso de coração rasgado. Na mesma vontade de tudo conhecer, correr o risco de sonhos chafurdar e sem pensar nisso, a lã desenrolar. Por trás desse momento, existe um tesouro, os arco-íris não são asfaltados, é difícil chegar lá. Quando dele se sustenta, fartura de gozo e vida não há de faltar. Os pequenos intervalos de quinze minutos de uma tarefa a outra só faziam seus olhares se desejarem mais. Não existe físico, carnal nessas horas. É alma, apenas, um pouco de coração e um punhado de lantejoulas pra gente asoprar no final. Existem amores que não precisam de príncipes ou sapos para serem encantados, só precisam de mãos e corações desocupados, nada mais. E mesmo com aqueles não-sorrisos, o pulso parecia incontrolável, transpiração, suspiros profundos, desertificação na garganta, uma sensação de ter sido arrombado, violado, saqueado. Prefiro dormir para o sul, pra onde você está, fingir do travesseiro o colo teu, abraçar o cobertor como abraçaria teu corpo, fingir que aquele anjo sentado ao pé da cama me trás companhia, a companhia que só você poderia me dar. E dormir, já que esse é o único jeito de te sonhar.

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