Naqueles dias de sol e temperaturas amenas, assinalava no calendário mais um dia vivido. No alto dos arranha-céus dos seus sonhos, pincelava estrelas num céu acinzentado, suspendia nuvens, ordenava pássaros e regia um coral de anjos tristes. Queria filtrar nos pulmões novos ares, deixar de assinalar os dias no calendário e fazer do relógio somente um quadro com pilhas pregado nas paredes brancas da sala, também pensava em brincar de bossa nova: um barquinho que navega, sem freios, no mar de um coração, bebendo um gole de cerveja enquanto escrever um verso bobo chafurdado de emoção. Colecionando dias quietos podia passear descalço pela lua, cumprimentava São Jorge e ainda lhe fazia uma oração: Meu amigo, não me deixe, os dias tem sido difíceis e desde já te peço orientação. Os sonhos mais pareciam Torres de Piza fincadas em areias movediças, mas cultivava-se uma esperança num canteiro discreto, sem maior movimentação.6 de junho de 2011
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Naqueles dias de sol e temperaturas amenas, assinalava no calendário mais um dia vivido. No alto dos arranha-céus dos seus sonhos, pincelava estrelas num céu acinzentado, suspendia nuvens, ordenava pássaros e regia um coral de anjos tristes. Queria filtrar nos pulmões novos ares, deixar de assinalar os dias no calendário e fazer do relógio somente um quadro com pilhas pregado nas paredes brancas da sala, também pensava em brincar de bossa nova: um barquinho que navega, sem freios, no mar de um coração, bebendo um gole de cerveja enquanto escrever um verso bobo chafurdado de emoção. Colecionando dias quietos podia passear descalço pela lua, cumprimentava São Jorge e ainda lhe fazia uma oração: Meu amigo, não me deixe, os dias tem sido difíceis e desde já te peço orientação. Os sonhos mais pareciam Torres de Piza fincadas em areias movediças, mas cultivava-se uma esperança num canteiro discreto, sem maior movimentação.
Por
Willian Aust
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