9 de junho de 2011

Último sonho

Chuvosos aqueles dias onde nada acontecia. Os olhos que mais pareciam pérfidas colméias que expeliam abelhas famintas onde o mel há tempos se transformara em fel. Permaneciam intactas as notas fiscais, os guardanapos amassados, as garrafas de Coca-Cola roubadas e as saudades imperecíveis, assim também permaneciam as janelas, afinal, as portas haviam sido fechadas há muito tempo.

Foi quando seus olhares desbotados, perdidos na rua escura, se encontraram subitamente. As reservas de palavras e discursos pré-definidos foram perdendo a razão, e a razão de tudo aquilo, por mais doída que fosse, era porque ainda se amavam, e isso ainda era inevitável. Havido o amor, quebrado o coração, concluía-se.

E então, o despertador tocou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário