30 de junho de 2011
Ensejo dos dias próximos
E ainda restava um pouco da noite em seus olhos, olhos que refugiavam um azul desbotado, que eu faria questão de num porta-retratos emoldurar. Naquela casa só de paredes, nuvens e uma lua de papelão resolvi presentear. Ele, bem discreto e sorridente, estrela daquele limitado céu resolveu me tornar. E ríamos vendo programas locais, entrevistas de ex-vedetes, cantoras bregas dos anos oitenta, filmes hispânicos de travestis desajeitados ou quando planejávamos fazer algo no fim de semana. Era luz o seu sorriso: iluminava novos calendários, acertava novos ponteiros e acumulava a vontade de pedir bis pra cada segundo compartilhado ou simplesmente vivia cada dia espreitando o ensejo de viver o próximo. Eram assim aqueles dias, onde além da noite, também restava brilho naqueles olhos.
Por
Willian Aust
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