17 de setembro de 2011

Carruagem estelar

Confortável é a nuvem que me carrega pelos céus nublados que traçam sua rota pelo meu calendário. Daqui de cima vejo pássaros, tapetes voadores, senhoras de vestido preto em suas vassouras, anjos distraídos e semi-deuses que atiram trovões sobre a cabeça dos transeuntes. Também consigo ver a Muralha da China, Atlanta e Machu-Pichu; escuto constantemente as orações dos que, lá de baixo, pedem auxílio dos céus na resolução das suas pendengas. Abaixo de mim cruzam aeronaves impacientes, jatinhos metidos e gigantescos balões, de vez em quando vejo até até disco voador, mas nisso ninguém acredita. Acima de mim, reside o infinito. Infinito que começa assim que termina o Universo. Lá, esferas de plasma, buracos negros, campos magnéticos e satélites russos também são visíveis, sem falar nos cometas exibidos e nas estrelas de-cadentes. A nuvem não é de parar, não tem freios e sua velocidade é inconstante, voltemeia ela corre pra ver auroras boreais ou estaciona pra não enfrentar furacões tropicais. Não é feita de algodão e também não é doce, inclusive é um pouco amarga e insossa. Ela está em constante crescimento, afinal, é mais do que comum o transporte de cruzes pesadas, tomadas pelo cupim e pela degradação. A nuvem que me carrega, um dia virará vapor da locomotiva desse céu. Espero que até lá eu tenha asas pra voar.

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