3 de setembro de 2011

Inebriados ouviremos

E ele continuava a falar dos seus amores partidos, da sua labuta exaustiva, do seu chefe emotivo e de como era forte, ambicioso e implacável. Naquele instante, era muito mais interessante observar o movimento dos seus lábios do que realmente prestar atenção no que eles proferiam; eu disparava caretas de conformidade a cada final de frase e resmungava palavras que poderiam englobar todos os temas que ele entrava, os quais geralmente se relacionavam aos dissabores de sua escabrosa vida de merda. Ele molhava a boca com a cerveja barata, como se lambeasse, voraz, um prato de comida tendo desnutrição, o mais interessante foi vê-lo não vergar-se ao êxtase da embriaguez, continuava a contar suas histórias trágicas com personagens facínoras, monstros em forma de gente e fadas-madrinhas de uma ordem maligna. Me encolhi dentro do meu estado absorto e pensei na vida.

Um comentário:

  1. há momentos em que os sentimentos tácitos simplesmente nos dominam!!! mas isso não quer dizer que passem despercebidos!!!
    adorei, adoro você também!!

    beijo

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