29 de setembro de 2011

Cruzados os dedos

Ainda que parecessem estranhos e temerosos quanto à sua pessoa, Penélope demonstrava interesse em roer menos unhas e suportar o medo que também era produzido por ela. Às vezes a tentativa de mostrar-se desarmado, em meio à situações adversas, pode confundir-se com os antagonismos cultivados sob um campo de prévias constatações, muitas vezes irrefletidas. A questão é que muitas vezes julgamos mais os anéis que os dedos; não oferecemos nossos narizes para certos perfumes e nos atamos no medo de sermos incompreendidos. Por mais que fossem tortuosos os caminhos, os dias eram de primavera e isso já era um grande motivo para se despreocupar. Haveriam paineiras carregadas, troncos de flamboyant mais retorcidos, corais de sábias mais audíveis e motivos sinceros pra não deixar de viver aquela efêmera eternidade. Pimenta nas unhas, amuleto no bolso, Penélope somente queria felicidade em dobro.

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