29 de dezembro de 2011

Água em pedra dura

Se lembra daquela vez que eu te descrevi como uma lua ? Hoje tenho certeza que eu me referia à uma das luas de Saturno. Eu sei que sua vida mais parece uma torta de maçã envenenada: quem dela provar, para sempre será sentenciado ao dissabor das lembranças tuas. Mas me recordo das suas promessas benevolentes de vida fácil, oferecendo grandes latifúndios e poder coronelista aos que seguissem, à risca, o teu passo desajeitado pelas encostas lodosas do teu miocárdio hesitante, notava seus medos tão externados que mais pareciam livros mofados colocados numa majestosa estante na sala de estar, e o teu brilho apagado, escondido atrás do novo penteado. Enquanto as bocas falam, o silêncio do seu descaminho te afronta com ímpeto, até que suas promessas descomedidas acabam se tornando meticulosos davaneios. Você sabe que ouvirá aquela música várias vezes, e que findada, os fantasmas ainda estarão ali lhe pedindo mais uma xícara de chá, quem sabe alguns biscoitinhos e alguns lençóis limpos. Parece que a estadia de apreciação do verão sulista foi prorrogada. Apesar das mãos cordiais, deve-se frisar que não detecta-se nenhuma ferida quando se está usando luvas. Deixe os espinhos para os ouriços e as roseiras, as luvas pra quando você for atender seu orquidário e as mãos cordiais, aceite-as. Bem sabemos que elas ainda irão segurar um buquê de rosas secas, atirado pela noiva que vestia preto.

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