1 de dezembro de 2011

Rainha do deserto


Tinha a boca vermelha. Elegantes cílios postiços emolduravam seus pudicos olhos juvenis. Seu casaco de general, sua calça dins rasgada, seu perfume de baunilha, os batidos sapatinhos vermelhos. Sua missão: navegar ao Novo Mundo. Não que ela tivesse espírito colonizador, nem mesmo o fato dela ter cometido massacres devem ser relevados. Ela só queria mesmo era fugir dos terremotos e furacões subtropicais, dos cruéis sapateiros, das daguerreótipistas loucas, das roupas na piscina, dos príncipes desamparados e das terrificantes tarjas pretas. Colocou dentro da mala seu mundo, surpreendeu-se ao verificar que não era muita coisa, escondeu as chaves debaixo do tapete com pegadas de barro, vislumbrou com melancolia o alaranjado imóvel que abrigou sua vida, partiu sem deixar rastros e esqueceu-se de levar a escova de dentes.

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