6 de dezembro de 2011

Ilustre desconhecida

Tudo parecia muito caricato sem o mal súbito da sua mente suspeita de suicídio. Foi então que seu corpo despencou de si mesma, como se sua própria mente furtasse todo o equilíbrio que a mantinha em pé. Suas mãos trêmulas apertavam, inseguras, qualquer pedaço de matéria que viesse assegurar a prudência que naquele momento inexistia, suas pernas contorciam-se de medo, o chão parecia confortável o suficiente para acomodar suas mágoas e dilaceramentos. Seu acompanhante, com um heroísmo que não lhe era de praxe, acomodou-a em seus braços e defendeu-lhe dos monstros e das potestades noturnas, embora parecessem fadas e teletubbies diante dos enclausurados fantasmas que habitavam o inconsciente cada vez mais consciente da moça. Depois da sua alma ter descido ao submundo, sua respiração parecia recuperada, os olhos encharcados de lágrima e pudor escondiam qualquer vestígio de falta de lucidez que, por ventura, pudesse ter sido perpetrado. Quem cultiva bomba-relógio, colhe bomba atômica – e ela sabia muito bem disso, inclusive especulava-se que sua safra deste ano seria recorde.

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