9 de maio de 2011

Confissão de um amor engraçado

E eu mantinha guardado aquele velho desejo de estar num cantinho, mesmo que imaginário, onde eu pudesse pensar que alguém estava prestando atenção em mim. Era onde você esteve esse tempo todo. Mesmo que de mansinho, já consigo enfiar a cabeça debaixo do cobertor só pra sonhar com nossos vinte e poucos anos, até lá muita coisa poderá ter mudado, mas que o hábito de se enfiar debaixo do cobertor só pra sonhar com os dez anos a seguir se mantenha intacto. Tenho tido dias azuis, os pássaros fazem orquestra nos pés dos ouvidos, as luzes (mesmo que solares) não se desviam de mim, as noites tem sido mais suaves e os dias mais doces. Minha saúde, também, super bem. Meu cardápio se restringiu a apenas um prato, mas tenho visto que foi a melhor dieta possível e tenho me permitido ter mais sonecas entre as badaladas do despertador só pra puxar o sonho pelos pés pra poder sonhá-lo mais um pouquinho. Tomou conta dos meus cantinhos, dos meus inteiros, dos meus dias inteiros. E vive em algum lugar dentro de mim, escondido, de onde me confessa que dali não quer sair mais, de jeito nenhum.

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