20 de maio de 2011

Ela ouvia jazz e voava

Pobre menininha, ainda me lembro de quando me disse que se você estivesse ouvindo jazz era porque você estaria renovada. Você estava mais corada, tinha mais vida e só te faltava asas pra voar junto com seus planos. Seus bolsos estavam cheios de pedras que você recolhia do caminho, eu me fazia de admirado e você se mostrava toda modesta. Foi então que eu me dei conta de que jazz tinha poderes medicinais e que você tinha crescido mais um pouco. Minha menininha, você sabe que eu gosto de como você olhas as estrelas, de como você as suspende nas paredes da tua púpila e aspira um dia habitá-las. Também sei que sabes que as linhas tortas, às vezes, não são tão tortas assim (talvez elas só precisem de uma régua) e que o silêncio pode parecer desértico, porém habitável. Uma hora eu vou te achar seguindo o caminho das pedras que você deixou pra trás e não duvidarei que alcançarás um modesto paraíso. Talvez não seja numa estrela como você queria, pois bem sabe que não nasceu pequeno príncipe. Fecha os olhos e voa, pois agora você não precisa mais esconder as tuas asas.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Jazz é sexo com acordes sustenidos nos lapsos.

    Não menos medicinal, claro

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