27 de maio de 2011

Na esquina da menor avenida do mundo

Na esquina da menor avenida do mundo se encontraram
Dos amores aquele era o mais bonito
O silêncio era raro, a fome tampouco
As tardes ainda eram quentes, as noites também

Ele disse, apaixonado, eu te amo.
Ela respondeu, indomada, um eu também
Dos amores aquele era o mais bonito
Tinha gosto de tutti fruti e cheiro de cigarro

Não estavam preocupados com definições
Eles se amavam, nada mais que isso
Erravam-se em promessas, beijavam-se no escuro
Mas se amavam, sobretudo se amavam

Um dia a menor avenida ficou pequena demais
O silêncio virou regra, o tutti fruti ficou insosso
Sobraram as notas fiscais e o amor
O amor mais bonito de todos os amores

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