"Então - ali deitada - teve uma húmida felicidade suprema, pois ela
nascera para o abraço da morte. (...) E havia certa sensualidade no modo
como se encolhera. Ou é como a pré-morte se parece com a intensa ânsia sensual?
É que o rosto dela lembrava um esgar de desejo. (...) "
Clarice Lispector
Foi sabendo que aquele seria meu único destino que cheguei nesse momento, com meus dedos enfraquecidos, voz pigarreada e alguns anos a mais de cinquenta, te dizendo que aquelas noites eram assim mesmo, que você só precisava ter fechado mais olhos e não suas expectativas. Aquilo tudo era um espetáculo, o cenário eram interrogações jogadas, coladas, sobrepostas, cruzadas que, interrogantes, te interrogavam por que interrogações você estava ali a se interrogar de forma tão interrogadora. Você, centro do palco, iluminado pela luz central de todas aquelas incertezas, sendo interrogado pelas interrogações que insistiam em interrogar-se naquele momento sem nenhuma finalidade interrogativa. Foi assim que um tempo depois você ainda quis se desculpar consigo mesmo, argumentando a irregularidade dos caminhos que você caminhava. E quando fecharam-se as cortinas, escutei sua voz em tom de prece, era uma oração. Nela, você pedia que nunca mais fechassem outra cortina diante dos seus olhos. Seria um exagero, um equivocado excesso eu não dizer que eu estava ali e ouvi quando dizia aquilo. Naquele momento, me sentei ao seu lado e te abracei. Agora volta ao teu sonho, finge que tudo isso é apenas outro exagero e quem sabe um dia você mesmo acredita.
nascera para o abraço da morte. (...) E havia certa sensualidade no modo
como se encolhera. Ou é como a pré-morte se parece com a intensa ânsia sensual?
É que o rosto dela lembrava um esgar de desejo. (...) "
Clarice Lispector
Foi sabendo que aquele seria meu único destino que cheguei nesse momento, com meus dedos enfraquecidos, voz pigarreada e alguns anos a mais de cinquenta, te dizendo que aquelas noites eram assim mesmo, que você só precisava ter fechado mais olhos e não suas expectativas. Aquilo tudo era um espetáculo, o cenário eram interrogações jogadas, coladas, sobrepostas, cruzadas que, interrogantes, te interrogavam por que interrogações você estava ali a se interrogar de forma tão interrogadora. Você, centro do palco, iluminado pela luz central de todas aquelas incertezas, sendo interrogado pelas interrogações que insistiam em interrogar-se naquele momento sem nenhuma finalidade interrogativa. Foi assim que um tempo depois você ainda quis se desculpar consigo mesmo, argumentando a irregularidade dos caminhos que você caminhava. E quando fecharam-se as cortinas, escutei sua voz em tom de prece, era uma oração. Nela, você pedia que nunca mais fechassem outra cortina diante dos seus olhos. Seria um exagero, um equivocado excesso eu não dizer que eu estava ali e ouvi quando dizia aquilo. Naquele momento, me sentei ao seu lado e te abracei. Agora volta ao teu sonho, finge que tudo isso é apenas outro exagero e quem sabe um dia você mesmo acredita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário