
Mal fechara os olhos, o Assum Preto, partia longe pra não voltar
Sabiá confuso e estrangeiro, fiquei sem jeito, levantei minhas asas e fui cantá
Levei comigo todo o desejo de algum dia, um novo ninho, ali decorar
Chorei um pouco, guardei no peito, abri as asas, pus-me a voarEu, Sabiá atilado, do seu canto quis de novo escutar
Fechei meus olhos e no seu mel de fel, de gozo pude exclamar
Mas ignorante, o Assum Preto, voou pra longe, deixou comigo o seu olhar
Quiçá um dia, noutro momento, seu canto invada o meu pomar
Abro as janelas, retiro as grades, faço um poleiro
É só ele ver o Ipê Vermelho, dobrar a esquerda e me encontrar
De longe o vejo, chega cansado, e traz meus beijos em seu olhar
"Eu sou um velho
ResponderExcluirMas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes"