18 de julho de 2011

Giz de lousa, vertigem e sombra

E por trás da cama se escondia um verso, ou era o verbo querendo se materializar. E naquele silêncio, chafurdavam pensamentos que por ali costumavam a ficar: bobos ou sérios, com ou sem nexo, o sabiá exaurido na janela insistia em cantar. No canto daqueles sons, afinados e dissonantes, palmilhava os dedos na barba e tomava cerveja quente até a evitar, surrupiava os velhos choros e com um sorriso, seu rosto tornava a enfeitar. Quem sabe esperasse que logo, não muito distante, com um giz de lousa a escrever na parede branca o menino da risada boba pudesse voltar. Atrás da cama se escondia o verso, que no segredo da efemeridade de sua essência, uma aquarela de eternidade poderia esboçar.

2 comentários:

  1. Ne vous déplaise
    En dansant la Javanaise
    Nous nous aimions
    Le temps d'une chanson

    Serge Gainsbourng

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