23 de julho de 2011

Tarde de sábado

Era uma tarde de sábado, eles sentados na grama com o sol no céu e o amor na Terra e as horas que pareciam não passar. Falavam de coisas aleatórias, mas tão aleatórias que Penélope não conseguia deixar de canalizar cada palavra proferida para que, quando fosse dormir, pudesse recordar de sua meio rouca voz. E assim foi, colocou o mundo debaixo do travesseiro, fez uma prece, sentiu o corpo cansado e tentou dormir, sem sucesso. Levantou da cama e foi olhar na janela como a cidade era bonita de noite, sem suas astérias urbanas e o barulho infernal. Era outra tarde de sábado, eles sentados na grama com nuvens cinzas no céu e um Deus nos acuda na Terra e as horas, estúpidas horas. Ela falava a ele como era bonita a cidade de noite, de como gostava de tomar chá, de como era bom se sentir superior por saber assobiar direito, de como Bonequinha de luxo tornou-se seu filme romântico preferido, de como era bom assim com ele ficar. Mas não durou muito.

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