Foi então que Adalberto começou a pensar. Seria loucura deixar que seus desgostos dominassem tão absolutistas sua vontade de viver. Essas histórias de evitar falar sobre, de policiar os julgamentos, de sofrer sem ter aprendido toda a lição da frustração só enchem a cabeça de pormenores tão indelicados e dispensáveis que deveriam seguir o mesmo rumo das cascas de banana e bitucas de cigarro. Adalberto franzia a testa, lambia os lábios ressecados pelo frio e estalava os dedos, exceto os indicadores. O corte no abastecimento de água tornava-o uma personagem de "Vidas Secas", só que ambientado no eixo Curitiba-Antártida. Era dia de Atletiba, pensou. Pra que mais confrontos ? Deixasse de ser a unha que atiça o ferimento e permitisse o tempo usar seu kit de primeiros socorros neste paciente que lateja, impaciente. Talvez não fosse tão fácil assim, afinal, era homo sapiens e coisas piores aconteciam no mar. Foi quando seus peitos estufaram, os ombros solevaram-se e uma corriqueira altivez quis estampar em seu semblante. Adalberto só não conseguiu por ter sido vítima de um espasmo no pescoço, fruto das noites mal dormidas.
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