A neblina esconde a noite da cidade pungente
que depois das onze horas se camufla na cerração
e sem opção, os desocupados dão suas caras
Forasteiros das vilas dos judas que perderam a noção
as botas, os crocs, os chinelos de plástico, as anabelas,
os de língua vistosa azuis celeste, os niques e os rebotes
E pensar que há pouco João degolou Maria
roubou uns trocados e fugiu pela porta dos fundos
deixando degolados o amor e Maria sob o colchão
e as digitais na Tramontina enterrada no quintal
A cidade que abraça o cinza e vive no preto
vigora em dias de pré-carnaval
suspende o sorriso para inclinar o narizinho
e brilha pálida e linda em suas auroras intrínsecas
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