E a tarde se arrastava afobada, friorenta e resguardada. Francisco afogava-se em goles fartos de café e contava nos dedos as horas pro dia cair, as mãos esquentavam enquanto segurava a caneca, mas o semblante permanecia frio. Pensava nas alamedas do bairro da infância, na imponência das copas das árvores e suas raízes profundas que rachavam a calçada. Nos canteiros bem cuidados, na vizinha russa (ou polonesa) chamada Maria que preferia ser tratada como Mary, no seu Lino a acenar por trás da janela e nos comentários sacros da avó que criticava as espadas-de-são-jorge do jardim da vizinha espírita. E a tarde expirava com o cinza do dia nublado a transformar-se na escuridão da fria noite.
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