Roubaram nosso ninho, Madalena. Nossas economias, nossos lençóis, os taleres da cozinha. Roubaram nosso telhado; em troca nos deixaram as estrelas. Quiseram ferir, espalhar pelo quintal nossas roseiras, fizeram até uma fogueira pra levar às cinzas os retratos teus. Mas Madalena, pense. Não levaram nosso amor, o cobertor, o cachorro ainda tem comida e os bandidos não se deram ao trabalho de averiguar o rodapé atrás da poltrona do vô Aloísio. Agora fecha os olhos e desfaça esse pavor, essa coisa ridícula. Não há porque o horror querer decorar nossas vidas.
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