Velho companheiro das tardes amargas, dobrado em cinco, fica guardado no bolso esquerdo. Enxuga o lamento e seca a tristeza; por um momento faz parecer que nada há, mas a verdade é que as lágrimas de dentro ele não pode secar. Permanece suspenso abaixo das pálpebras desalinhadas o olhar apreensivo, carregado de chumbo e desalento que não quer cessar. Cada vez torna-se mais ávida a necessidade de trazer lá de dentro os suspiros de basta e deixar por lá mesmo o silêncio que, desalmado, cumpre sua nefasta obrigação de assustar. Ameaçado, o sorriso insiste em ficar preso; ao contrário do sol, que hoje programou pique-nique na varanda e nem pensou em te chamar.
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