10 de março de 2011

Que goste de mim, só isso

A gente sem nada nas mãos, só um peso no coração, um lenço no bolso e algumas moedas pra um cházinho. Nós e nossas palavras, a gente se contamina com nossa própria saliva, perdemos certeza de certas coisas, descobrimos outras. Já nem sei o que sinto, já tentei de tudo, procurei em autores, filmes e melodias, nada. Nada que fosse capaz de traduzir pra língua dos homens o que a língua do amor quer insinuar. Quero compartilhar segredos, sonhos, medos, escova de dentes, gavetas e chocolates com passas. Sonhar com o que é possível e tornar o impossível uma palavra desconhecida. Pincelar cada faísca da paixão e descobrir que por trás das cinzas sempre vem o Além do Arco-Íris. Me esconder debaixo das tuas saias e me lembrar que você não as usa. Tenho tudo pronto, aqui, dentro de mim. Só me faltas invadir o peito e saquear meu único bem. Só a gente sabe da falta que o outro faz, e mesmo estando desnorteado, o destino mostra pra que veio ao mundo. Não temos dinheiro, tempo, remédio pra dor de cabeça, mas temos nossos sonhos. Vários, na verdade. Necessito de alguém que aceite meus cinco minutos a mais de sonolência, que me faça café e me deixe um recado no espelho do banheiro: “Você está lindo hoje”, que goste de cinema clássico (já é demais, né), que não se equilibre apenas com as pernas, que não seja nada disso que descrevi.

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