28 de maio de 2011

O apanhador de margaridas

Hoje eu resolvi abrir um pouco as janelas, assoar o nariz e botar uma margarida no bolso da camisa de barquinhos. Quis porque quis caminhar por aí, sem relógios, problemas e chaves, quem sabe descobrir um mundo novo, achar Atlântida, aprender a tocar tuba, colher conchinhas, saquear piratas. Abri o baú e lá estava ele com os olhos acinzentados, cabelo curto, barba bem feita, sorriso de anjo e asas também. Coloquei-o numa caixa de biscoitos e guardei-o em meu coração, onde reina absoluto e eternamente. Botei uma rosa num envelope e mandei pra você, enviei junto meu amor. Tomara que o carteiro não tarde a te entregar, vou fazer uma prece e, inconscientemente, minhas mãos nos teus cabelos passar. Depois vou fechar as janelas e colher novas margaridas pra botar no bolso da camisa de barquinhos, quem sabe assim você fica um pouco mais.

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