
Desafiava as leis da física quântica quando partia sem rumo pra outra interrogação que fincava sua bandeira sob aquele peito tão cálido, tão ferido. Enquanto Ella seperdia por entre as partículas de gás carbônico e suspiros fragmentados, a cortina de tule se movimentada tímida o suficiente pra anunciar que logo viria chuva, mas mesmo assim Ella continuava a entoar seu canto magnífico por entre os quatro metros quadrados mais irrisórios na bagunça daquele mundo. Enquanto Ella contava-lhesuas agruras em seus ouvidos, seus olhos fitavam os pássaros que deveriam cantar: "Vem chuva!". Seu coração mandou-lhes um recado: "Diga ao meu amor pra não se preocupar, embora esteja no meu canto, penso nele sem parar". Sua alma lhe indagava: "Você poderia ser um pássaro ?", seu córtex específico pra guardar lembranças e datas comemorativas afirmava: "Chega de nostalgias baratas". Depois de pular corda com salto agulha, seus conceitos pareciam se fortificar daquilo que já fazia parte da rotina e que já havia perdido o encanto fazia tempo, afinal, agora partia para o fundamental: a realidade. Perguntados sobre a situação decorrente, os conceitos não quiseram se manifestar, apenas lançaramsorrisos autoexplicativos e um demasiado rubor nas bochechas. E no fim da história, todos haveriam de ser felizes, afinal, logo viriam as festas, os suspiros do fim de solstício, os espumantes gelados, as taças de cristal chinês cheias de desejos de felicidade vindoura e vinho Campo Largo, o silêncio das orações e a velha constatação de que aquela era uma das últimas oportunidades de conviver com os seus. Seus, uma definição íntima e definitiva de família, seja elade sangue ou de amor, faca ou dissabor. E as interrogações ainda o incomodavam,faziam cócegas indesejadas e corriqueiras, mas mesmo assim as mantinha presas ao pé da mesa e só as alimentava com as migalhas dos farelos de sua atenção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário