24 de outubro de 2011

Roma

E sua função iria além de esquentar pés, estalar dedos, pegar um copo de coca e fazer cafuné debaixo da orelha. Suas mãos iriam além das curvas incertas, dos cabelos medusos, das sobrancelhas espessas e dos céus imaginários que surgiam conforme a intensidade de suas nostalgias quando as contava deitado. Suas expressões de amabilidade e simpatia seriam suficientes para abismar quaisquer sentimentos algozes que pudessem aparecer com suas agulhas, foices e machados suspensos na farda suja do soldado. No silêncio do quarto: um dilema profano. A luz amarela, os restos de sono nos restos de olho, perdia-se a fumaça no vasto teto, achava-se uma teia de aranha atrás da porta. Os dedos descobertos e as canelas de fora, os olhos atentos enquanto outra melodia tocava lá fora, a seiva escorria criando uma nova rota por entre a secura da casca. Nesses dias ainda acreditava-se que as estrelas eram pequenos furos da pavimentação do céu. Nesses dias ainda acreditava-se em Roma invertida.

Um comentário:

  1. Não queria deixar passar em branco esse post =)

    Não costumo comentar em blogs. Mas saber o significado desse post e mesmo assim ficar inerte seria muita "falta de sacanagem".

    Eu te amo, bebê.

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