
Toda vez que ouvia falar dele eu o imaginava minuciosamente como um protótipo de herói charmoso de filme de quinta categoria, que mesmo com todas as adversidades da barata produção, conseguia oferecer alguma curiosidade derradeira. Sempre era retratado por seus longos pelos faciais, seu agasalho de lã vermelha, sua maneira intrínseca de esconder algum possível e surpreendente sentimento que viesse depois de um proferido "olá" de algumapessoa que ainda mantinha nos olhos uma secreta harmônia com os dele, e por último, pelas cicatrizes da sua alma, que ele parecia esconder enquanto fazia da sua vida um funeral com muitos copos-de-leite e rosas vermelhas espalhadas pelo ambiente asqueroso e fétido. Ele, de certa forma, parecia ser um sujeito legal. Embora sempre acabasse sendo visto como um indivíduo com poderes sobrenaturais na arte de ser questionado. As pessoas encostariam suas cabeças nos travesseiros de penas de cisnes brancos das lagoas artificiais de uma das muitas fábricas de almofadas e travesseiros, e dividiriam qualquer pensamento pré-importante com a imagem dele exposta em mais de 51% dos seus cérebros congestionados de fumaça e pensamentos nocivos à decadente população de neurônios. A origem de toda essa minha besta curiosidade é incerta, talvez fosse por obra de algum comentário ou vários deles que contam por aí. "Às vezes não é muito difícil adivinhar que ele seria o mais difícil de ser adivinhado" -pensei eu, enquanto adivinhava ele, novamente, numa roda de prosa um tempo atrás. A adolescência ao fim chegaria, com ela a lembrança de um jovem segredo, que tinha corpo de homem e que estava ali pra cumprir a missão de ser segredo pra todos que ousassem achá-lo indecifrável.
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